05.04.07
Tudo demais é veneno
Quando Francismeire conseguiu fisgar aquele homem grande e bonito, cabelos louro-fogo, maior do que os brasileiros do Pingo Dagua, o mulherio todo ficou babando de inveja. Umas despeitadas comentavam que "mesmo que não queriam um homem grande daquele jeito, devia ser tudo grande e fazia era estrupar quem tivesse a coragem de ir para a cama com um aloprado daqueles". Francismeire conquistou o galego. Ele falava um português arrastado e ela entendia pouco, mas que o cabra era bonito isso era. Ela sempre gostou de homem grande. Lá no seu interior, sul do Estado, nunca deu bola para os caboclinhos minguados, gostava era de homem grande, que tinha o que pegar, como o deputado, como o prefeito e até aquele médico que passou pouco tempo. E na falta de homem de estampa, homem mesmo que calçasse sapato 44, camisa 46, ela veio embora para Teresina. Estudava e trabalhava que nunca foi preguiçosa. E gostava de se divertir também, dançar, paquerar e ir pros motéis mas não era com qualquer brochote. Naquela semana santa tinha ido para Fortaleza com uma amiga. Diziam que lá é que era lugar de homem grande e bonito.De jeito que ela gostava. E foi lá que ela arranjou o Jonh. Ele veio de Fortaleza com ela e a colega. Que não tinha arranjado nada.Mulher é como caçador, tem que ter sorte. Olha a Francismeire até mais feia do que a colega e tinha arranjado um gringo.A amiga só fez foi acender vela. Desde lá, na praia do Mucuripe que o cara demonstrou ser um gastador. Dólar. Não era este dinheiro enfeitado do Brasil, não. Era daquele dinheiro que a gente vê assim e sente fé. O lourão era cheio de dólar. Foi um sucesso. Francismeire arrasou e foi até no Don Panchito, por sinal na inauguração. Depois daquela noite no Pingo Dagua nunca mais as colegas viram Francismeire.Tinha ido para a Suíça, o galego morava lá. Cartas ela mandou dizendo que estava muito feliz.No começo.Porque já do meio pro fim reclamava do frio e do homem.Que era um tarado, só queria era está em cima dela, todo dia, nunca tinha visto aquilo.No início, ela achava bom mas tudo demais enjoa. E maltrata, contava para a Solange dona do bar no Lourival, em carta de duas folhas. Que ficava toda dolorida e no frio era que era ruim mesmo. Não podia nem andar... Ontem ela chegou.Assim de repente. Roupas bonitas, dólar na bolsa, mas com uma cara de tristeza.Dizia que não voltava mais.Que lugar bom era o Piauí e que homem grande e bonito é ilusão. Queria matar as saudades. Passou a noite dançando com o Cobra Dagua. No velho Pingo Dagua. E as amigas comentando:É, siá.Tem mulher que não quer nada na vida...